DEIXEI O NÃO E TROUXE O NUNCA.

 

 

Olá colegas!
Depois de um breve período de carnaval, eis que volto para mais um bate-papo. E como um bom carioca, aproveitei meu carnaval. Mas se vocês estão achando que eu aproveitei me jogando na badalação, estão enganados. Fiquei na minha, observando o movimento alheio e bebendo no cantinho a minha skol beats, atento no “festival da carne”. As pessoas gostam do carnaval por um simples motivo: Alegria! É hora de se jogar, beijar muitas bocas desconhecidas, sair nos bloquinhos tudo e beber, se divertir. De fato é gostoso se jogar e aproveitar com os amigos, se libertar um pouco da pressão da rotina e curtir. Porém, não em excesso, e nós sabemos que sempre rola excesso e consequentemente, rola merda.
As pessoas ficam bem soltinhas e acabam se esquecendo que o efeito da bebida acaba, e acabam se esquecendo de que não precisam beber para se divertirem. Pois bem, as pessoas bebem e perdem a linha, o que resulta em pessoas embriagadas fazendo merda, principalmente os rapazes. Em alguns momentos, observei que uns rapazes tentaram beijar garotas, sem sucesso, mas foi numa boa, sem pressão ou qualquer ato de violência. Mas vi em alguns casos que os rapazes, após escutarem um não, exclamaram uns palavrões e/ou tentaram beijar a menina, contra a sua vontade. Sabem o pior? Elas beijaram. Beijaram não por prazer, mas por estarem sendo forçadas pra isso. De acordo com o artigo 213 do Código Penal Brasileiro, constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso, ou seja, usar a violência para beijar alguma garota, rapazes, é crime de estupro. Meu deus, estupro?! Sim, senhor. Na verdade qualquer pessoa, sem distinção sexual.
Então, lembrei do caso em HTGAWM, em que a Bonnie defendeu uma enfermeira, acusada de estuprar o paciente. Uma enfermeira solitária, de família cristã, solteira e não muito atraente, atacando um paciente bonito e indefeso. Estupro? Aparentemente sim. Até que fora provado que ele era gay, tinha um caso com o advogado do hospital e estava planejando uma golpe, infelizmente colocando a enfermeira como bode expiatório. Esse caso me remeteu ao carnaval, o machismo já enraizado do homem, culpando as mulheres de serem “culpadas” pelo ato sujo deles. “Beijei porque ela tava se oferecendo, apertei a bunda dela porque ela estava de saia, estuprei ela pois ela estava com uma roupa vulgar”. Gente! Como podemos ter homens que pensam assim?! E homens que planejam usar da ingenuidade de mulheres para tirar proveito de situações. Então, me pergunto, até onde vai a perversidade masculina? No caso que houve, apesar dela ter dado continuidade ao ato, não fora ele quem cometeu o estupro? O pior é que existem mulheres que se culpam por esse tipo de pensamento masculino, e dizem “a culpa é minha sim, se eu não tivesse usado aquilo ou feito isso”. NÃO, A CULPA NÃO É SUA. A culpa é dele por ser machista, a culpa é dele por ser um babaca nojento, não é culpa sua se algum homem fizer qualquer tipo de agressão com vocês. Saibam, vocês possuem voz, não se escondam! DIGA NUNCA PRA ESSE TIPO DE HOMEM e diga NUNCA pra inferiorização que vocês se colocam e eles te colocam também. Você é dona do seu corpo, vocês devem querer o que vocês querem e não deixem que ninguém tire isso de vocês.
A mentalidade masculina está suja, está podre. Mas gostaria de dizer pra vocês que as mulheres podem andar do jeito que elas quiserem, podem negar beijo sim, podem deixar o não em casa CASO VOCÊS DECIDEM QUE SIM, e nós homens não temos nada com isso. Digo mais, o artigo 5º da Constituição Federal nos assegura que temos direito à liberdade. Portanto, não seja um homem desprezível, respeite o próximo e a sua liberdade.  E o mais importante: Não seja machista, homofóbico, nem sem-noção. Seja uma pessoa consciente dos seus direitos e deveres. Responsabilidade sempre, e não tenham medo de deixar ou não deixar o não em casa, tá livre pra trazer o nunca, o não, os beijos e felicidade. Só não tá livre tolir o carnaval do amiguinho e ser uma pessoa ruim.

Até mais, pessoal!

About the author

Carioca, pisciano, estudante de Direito, curioso e ávido por coisas novas, sempre questionador e louco por escrever.