Olá nobres colegas!

É com um enorme prazer que inicio essa coluna. Antes de qualquer coisa, irei fazer uma breve apresentação sobre esta pessoa que vos fala. Meu nome é Lucas Lopes, tenho 19 anos, moro na cidade maravilhosa (e quente) do Rio de Janeiro e estou cursando  faculdade de direito, agora no 3º período. Penso muito na área criminal (Quero ser uma Annalise da vida <3) e gosto muito do curso que estudo e escolhi para seguir uma carreira.
Bem, posso dizer que direito realmente não é para os fracos. É uma área difícil, concorrida, dura. E não é uma ciência estática, tudo está em movimento. Leis nascem, são revogadas, outras entram em desuso e outras complementam. E, o direito penal em especial, esse aí é beeeeem interessante. Como disse antes, nada no direito é estático, ou seja, nada tem uma resposta exata. O direito penal pode ser usado de forma prática, para atingir o valor justiça, mas nem sempre é assim. Por exemplo, no segundo episódio da série, quando nos fora revelado que não fora o Sr .Vicent que assassinou sua segunda esposa, e sim a sua filha, em uma vingança. Notamos que para o valor justiça ser encontrado, a filha do Sr .Vicent deveria ser culpada e sofrer a sanção penal, e não foi bem assim. Logo, o valor justiça não foi alcançado.
Mas gostaria de falar sobre algo que eu achei inusitado na série, ligando o direito penal, a história dele e a série. Annalise é uma advogada de defesa, mulher, negra, bem sucedida, independente, forte e lidera um grupo de advogados. Pois bem, durante toda a história do direito penal, o papel da mulher era justamente o contrário: Escrava, condenada, vitimizada e sob a égide patriarcal dos pais e dos maridos. Todos nós sabemos a luta das mulheres para chegarem até a posição que estão e foi uma luta difícil. A lei aqui no Brasil, era muito injusta e rígida com as mulheres. Por exemplo, vocês sabiam que o adultério, quando praticado pela mulher, a pena seria de prisão com trabalho por um até três anos e para o homem só seria punido se ele mantivesse uma “teúda e manteúda”, ou seja, uma mulher que ele mantivesse um relacionamento. Se era fácil provar que o homem mantinha? Não, não era. Praticamente impossível. Outro exemplo, indo mais fundo, o homem se descobrisse que a sua mulher estava cometendo adultério, seria lícito ele cometer homicídio, e não acarretaria pena para ele. O homem poderia inclusive matar a mulher e o amante! Annalise  sofreria um bocado se ela estivesse em épocas passadas!

E então, Annalise aparece, e nos mostra o triunfo feminino. É a representação do declínio do direito repressor, não que ele não continue sendo, de fato ele é, mas nos mostra a evolução que ocorreu em certas partes. Annalise é uma mulher de fibra, é uma agente da lei que sabe se impor, e também sabe ser mulher, humana, sensível e frágil, que sede ao seu próprio corpo e faz o que ele quer. E  deve ser assim mesmo, vocês são livres, mulheres! Façam e sejam o que bem entenderem, vocês possuem legitimidade pra isso.  Eu só tenho um desejo, aliás, eu e Michaela: Quando crescer, eu quero ser essa mulher!