Quando um roteirista decide matar um dos seus protagonistas ele está em busca de duas coisas – encerrar o ciclo de um bom personagem ou dar um gás na história para evitar que sua trama caia na repetição. Pensei, sinceramente, que esse era o caso de “How To Get Away With Murder” quando trouxe Wes assassinado no último episódio de 2016. Tudo, entretanto, continua a mesma coisa.

Wes continua aparecendo por meio de flashbacks para mostrar o quão especial era para cada um dos integrantes do grupo. Mesmo morto, continua mais onipresente do que nunca. Isso me preocupa pelo fato da história não ter evolúido, pois continiua abordando as mesmas velhas e bobas questões relacionadas a carência, amizade, lealdade, arrependimento, paixão e entre outros.

O que mais me deixa frustrado é ver um elenco tão sensacional e tão potente como esse aqui, renegado a diálogos toscos e cenas que vão para lugar algum. Asher continua o mesmo personagem lá do piloto, que serve para arrancar algumas risadas involuntárias do telespectador, mas nada além disso. Para quem teve o prazer de assistir “Orange Is The New Black”, sabe o talento de Matt McGorry.

Serei injusto em afirmar que Not Everything’s About Annalise me incomodou, porque o roteiro conseguiu trazer cenas exemplares ao telespectador. Cito a minha preferida que foi protagonizada por Jack Falahee e Conrad Ricamora, onde eles conversam e concluem a cena com um abraço carregado de emoções que a direção capturou com maestria. Foi um momento forte, tal qual ver Annalise entrando em colapso no interrogatório, mas nada que pudesse salvar o conjunto da obra.

Os roteiristas precisam esquecer de Wes, focar em Annalise e nas cenas do tribunal, esquecer todo o passado relacionado aos inúmeros assassinatos cometidos por essa gente e recomeçar. Voltar as aulas, dar um banho de novidade nesta série e deixar os diálogos mais robustos e interessantes, da mesma forma que eram lá na primeira temporada.