How To Get Away With Murder não retornou bem. Isso é um fato que debatemos muito aqui no site e na nossa página no Facebook. Entretanto, sempre esperei que os roteiristas mudassem, de uma vez por todas, o foco da narrativa e da história. Felizmente, Go Cry Somewhere Else é a amostra de que os responsáveis pelos rumos desta série estão, finalmente, começando a pensar diferente.

É verdade que muito trabalho ainda há de ser feito, principalmente no que se refere ao elenco de atores coadjuvantes que desde a segunda temporada procuram algo agregável a ser feito. Asher, por exemplo, continua como o bobo da corte enquanto Laurel permanece interpretando a princesa apaixonada, porém, não correspondida. A mudança sinalizada ainda aparece como algo muito mais importante para Annalise.

A personagem que estava resignada a cenas pequenas, mas de grande intensidade dramática, finalmente ganha uma perspectiva digna da nossa atenção. A passagem de Annalise pela prisão mostrou o quão frágil e preguiçoso o roteiro se tornou quanto ao tratamento de temas sociais, como o sistema penitenciário americano, mal tratado desde os tempos de Nixon que recebeu um olhar cuidadoso, porém longe do ideal, de Obama.

Não esperava que o tema fosse introduzido num diálogo entre as detentas, até porque isso seria difícil de acreditar, mas esperava que a personagem servisse como uma mensageira dos roteiristas aos telespectadores quando mostra o quão problemático o sistema penitenciário continua sendo e como o encarceiramento em massa atinge, principalmente, a comunidade negra.

Essa temporada já tratou dessas questões quando mostrou as injustiças que acontecem nos tribunais que cuidam de imigrantes supostamente criminosos. Porque parar justamente agora? A história principal está fraquíssima, qual motivo de não investir na abordagem de temas sociais tão importantes para os Estados Unidos atual?

Go Cry Somewhere Else nos trouxe uma melhora realmente expressiva em relação ao episódio anterior, mas essa história do “Quem Matou?” funcionou muito bem nos clássicos da telenovela brasileira como em “A Escrava Isaura” com o assassinato de Leôcio, “O Astro” com Salomão Hayala ou com “Vale Tudo” e sua icônica Odete Roitman. Série americana em 2017 usando de tal recurso para criar barriga e ganchos exagerados não parece saudável pra ninguém.

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<p>Catarinense, 20 anos e estudante de Direito. Trabalho e me divirto com o entretenimento desde os 10 anos de idade, cobrindo notícias, premiações, estreias e fazendo entrevistas. Meus fortes estão na indústria da TV e do cinema, seja em parâmetro nacional ou internacional. Ficou curioso? Me pague um café que teremos muito assunto para conversar.</p>