Uma das mais irregulares até aqui, a terceira temporada de How To Get Away With Murder começa a nos deixar com um gostinho agridoce, onde mostra que cumpriu seu papel ao fechar certas histórias da maneira correta, mas também sabe que poderia ter feito muito mais por certos personagens e desenvolvido ideias de uma forma mais madura e inteligente.

Em He Made a Terrible Mistake, temos a demonstração de que a série entendeu onde errou e estava disposta a melhorar. A boa notícia, portanto, é que tivemos um episódio impecável. A má notícia é que os roteiristas, como de costume, deixaram o melhor para o final. É verdade que quando se trata de Shondaland, isso é uma regra, mas espero que a partir da próxima temporada isso comece a mudar.

A abertura deste episódio foi simplesmente brilhante, perturbadora e perfeita para nos preparar para toda a carga dramática que está por vir. O ator, como é de costume, entendeu o que a direção queria e apenas com uma respiração pesada e olhares fundos conseguiu transmitir ao telespectador todos os sentimentos envolvidos naquela sequência. É verdade que é tudo uma estratégia do roteiro para humanizar o personagem, mas nada que tire o mérito do trabalho do diretor e de Jack Falahee.

A cena de tribunal não foi, nem de longe, a melhor que How To Get Away With Murder teve o prazer de nos apresentar nesses três anos. Entretanto, foi um alívio descobrir que os roteiristas ainda lembram os ingredientes que tornam uma sequência daquelas excitante e deliciosa de assistir, principalmente para todos os estudantes de direito ou admiradores do sistema jurídico dos Estados Unidos.

A abordagem de temas sociais, felizmente, também voltou mesmo que de uma forma bastante sutil. Numa determina passagem que Laurel vai à obstetra para uma consulta, elas discutem sobre até quando há possibilidade de abortar o bebê em gestação. A médica explica que, pela legislação do estado da Pensilvânia permite-se até 24 semanas de gravidez. Não existe crítica a nenhum governo, ativismo ou nada do tipo, mas sim a amostra de que a decisão pertence única e exclusivamente à mulher, sem qualquer interferência do Estado ou religiosos fora da casinha.

É cedo pra dizer que a série conseguiu sua redenção ao aprensetar um episódio de extrema qualidade, até porque ainda temos o Season Finale pela frente, mas é possível afirmar, com muita segurança, que esse é o tal caminho certo que venho comentando a algumas semanas.

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Catarinense, 20 anos e estudante de Direito. Trabalho e me divirto com o entretenimento desde os 10 anos de idade, cobrindo notícias, premiações, estreias e fazendo entrevistas. Meus fortes estão na indústria da TV e do cinema, seja em parâmetro nacional ou internacional. Ficou curioso? Me pague um café que teremos muito assunto para conversar.