Para todos aqueles que leram a minha review na semana passada, sabem que fui praticamente uma das únicas pessoas que gostou da Season Premiere por entregar tudo o que Pete Nowalk vinha prometendo, além de trazer uma reestruturação criativa que a série vinha precisando desde a segunda temporada. Nesse segundo episódio, felizmente, nós tivemos a confirmação de que a mudança veio para ficar.

Com Annalise liberada para advogar, vimos a personagem voltar aos tribunais para defender uma das amigas que fizera quando ficou presa pelo suposto assassinato de Wes. E é aí que vemos o primeiro sintoma positivo dessa reestruturação criativa, haja vista que os grandes das primieras temporadas eram justamente as sequências na corte.

Imagem: ABC/Mitch Haaseth

Apesar do caso simples, o roteiro brilhou ao tocar num tema importantíssimo para a sociedade americana de hoje que é o racismo sistêmico num sistema jurídico cheio de falhas. A escolha de tratar de tal problema social não é apenas importante, como também fundamental para uma série que sempre buscou tocar na ferida com inteligência e elegância. Há muito tempo venho pedindo para que os roteiristas se atenham mais às questões raciais, por isso fico contente com a abordagem.

 A evolução dos personagens é algo que ao mesmo tempo me preocupa e me deixa feliz. Oliver (Conrad Ricamora), por exemplo, vem flutando de cena em cena em busca de algo notório e interessante para se fazer. Atualmente ele é apenas o “futuro marido do Connor” e um técnico em TI cujo sub-emprego serve apenas para pagar o apartamento. É frustante ver que um ator tão talentoso esteja renegado a desempenhar uma função tão rasa.

Michaela, por outro lado, é uma força da natureza. Além proporcionar momentos ótimos para que Aja Naomi King mostre todo seu talento, temos a volta do humor negro com força toda no roteiro, tal qual o sex appeal e a inteligência na hora de falar sobre quaisquer assunto. Gosto dessa mudança de comportamente que propuseram aqui para Asher, mas acredito que o personagem merece mais do que a velha história dos problemas paternos.

Com um figurino maravilhoso e a necessidade de encontrar histórias relevantes e interessantes para todos, repito, todos os personagens acredito que How To Get Away With Murder não poderia estar num caminho melhor do que esse – voltando aos tribunais, tratando de questões sociais importantes e trazendo aquele apelo novelesco de volta. É muito bom ver essa série de volta.

About the author

Catarinense, 20 anos e estudante de Direito. Trabalho e me divirto com o entretenimento desde os 10 anos de idade, cobrindo notícias, premiações, estreias e fazendo entrevistas. Meus fortes estão na indústria da TV e do cinema, seja em parâmetro nacional ou internacional. Ficou curioso? Me pague um café que teremos muito assunto para conversar.