How To Get Away With Murder nunca foi uma série que conseguiu manter ritmo por muito tempo, visto que depois de um episódio excelente tínhamos um monótono e outro ruim em sequência. Sabendo disso, minha preocupação de que a reconstrução criativa da drama seria colocada em risco era muito grande antes de conferir It’s For The Greater Good. Felizmente, e surpreendenmente, a qualidade se mantém.

Depois de uma vitória arrasadora na sua reestreia nos tribunais, Annalise está decidida a manter o bom momento e se inscreve na defensoria pública da cidade da Filadélfia para ajudar réus ou condenados hipossuficientes, mesmo deixando bem claro que ela mesma está em estado de insolvência. O caso é difícil haja vista que o crimoso não possui uma aparência que agrada o júri, mas Annalise encara mesmo assim.

Imagem: Mitch Haaseth/ABC

Diferentemente do que vimos no caso do episódio anterior, essa defesa de Annalise não causou o mesmo impacto porque o roteiro não conseguiu encontrar uma forma de conectar problemas ali expostos com desafios que a própria sociedade enfrenta diariamente, como preconceito, violência doméstica e cortes em áreas fundamentais para realização de justiça social. Tenho uma leve tendência a acredita que a única razão pela qual tal sequência existiu foi para causar o tão “esperado” confronto entre Bonnie, Nate e Annalise.

É um grande desperdício de tempo e oportunidade de falar o que importa? Sem dúvida, mas também não acredito que os roteiristas tenham introduzido tal briga sem nenhum próposito, o que teremos que esperar pra ver. Todavia essa não foi a única cena questionável introduzida em It’s For The Greater Good, na verdade tivemos uma notável a partir do momento que Michaela é pega usando seu celular para assuntos particulares e, como punição, é obrigada a participar de um quiz em pleno horário comercial para descobrir qual estagiário sabe dizer o quão espetacular é a firma na qual estão trabalhando.

Há um artigo muito interessante na página jurídica Above The Law que questiona as diversas cenas de How To Get Away With Murder que desafiam qualquer realidade, o que realmente me fez não só rir de uma proposta tão ridícula como aquela como questionar qual o tipo de consultoria jurídica os roteiristas têm na hora de criar essas cenas. É realmente impressionante o que vimos aqui.

Laurel está num processo notório de transformação no “novo Wes”, como a própria Michaela pontuou no início do episódio, o que me deixa preocupado porque é perceptível que o roteiro usa a personagem como a única forma de manter uma ligação com os acontecimentos das temporadas anteriores, que do ponto de vista de evolução da história, nunca é recomendado. Ao final da terceira temporada prometeu-se que iriam discutir o controle midiático e político de Jorge Castillo no México, mas até agora nada.

Em relação a Connor e Oliver, temos o feijão com arroz de sempre – um continua desempenhando a função de “marido” enquanto o outro segue sem rumo. Tomara que essa participação dos Walsh dê uma virada nessa trama, porque não aguento mais essas cenas no “barzinho”. Quanto ao gancho no final do episódio? Acredito que estamos cada vez mais perto de ver Michaela transformar-se em Annalise por completo. Quem diria, não é mesmo?

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