Uma das caracterísiticas que mais admiro na estrutura de How To Get Away With Murder é a capacidade que a série tem de manter-se a mesma durante quatro anos, mas apresentando ao telespectador (algumas) mudanças criativamente, seja com a morte de alguns personagens ou até mesmo numa transformação radical que é a proposta desta quarta temporada.

Faço tal afirmação porque chegamos ao quarto episódio sabendo que alguma desgraça aconteceu no futuro próximo, que Annalise está envolvida assim como o restante do grupo e que Michaela está com muito medo de “perder tudo e ser presa”. Esse enredo se parece muito com as três primeiras temporadas, não é mesmo? Todavia, não é essa sensação que temos ao assistir ao episódio, o que se deve ao ótimo grupo de roteiristas que essa produção possui.

Imagem: ABC/Divulgação

Depois de uma sequência de tribunal ligeiramente fraca no episódio anteior, o roteiro propõe um retorno ao passado para conseguir surpreender o telespectador e afirmar, de uma vez por todas, que Annalise está de volta a ser o que era. Por isso temos o retorno de uma boa personagem da terceira temporada, mas que infelizmente não foi bem aproveitada, a reitora Soraya, interpretada pela competente Luna Lauren Velez.

Como ressaltei anteriormente, o roteiro foi muito inteligente ao resgatar uma questão mal resolvida do passado para evidenciar o crescimento da protagonista, sem deixar de desenvolver problemáticas futuras. Annalise, com ajuda do escritório que Michaela (curiosamente) trabalha, lidera a defesa da professora em busca da guarda dos seus filhos.

É verdade que cria-se um imbróglio durante o desevolvimento da trama para que a excitação cresça e o clímax possa ter uma força que, infelizmente, não tem, mas acredito que o roteiro cobriou-se de bons argumentos jurídicos, foi inteligente ao seguir com certas ideias e trouxe uma resolução criativa e coerente no final do episódio.

Estou curioso para ver como que Annalise vai processar o estado da Pensilvânia, o governador e o escritório da defensoria pública, até porque o roteiro precisará trazer um nível de inteligência, sabedoria e gigantismo que nós não vimos ainda. Não criarei muitas expectativas, até porque estamos falando de televisão aberta, mas nunca subestimarei a capacidade de How To Get Away With Murder e de Pete Nowalk.

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