E estamos de volta!

A primeira parte da quarta temporada, ou seja os episódios exibidos em 2017, foi interessante. A série conseguiu melhorar aqui, fazer correções acolá e ainda colocou Annalise de volta aos tribunais. Ótimo. O problema é que o restante do elenco estava sem perspectiva. Laurel, com uma gravidez mal desenvolvida pela direção, estava tramando um plano complexo para derrubar seu pai e precisava do restante dos colegas. No midseason finale vimos tudo dar errado, mas pela primeira vez nós tivemos a oportunidade de lembrar que essa é realmente a How To Get Away With Murder que a gente aprecia.

Confesso para vocês que algumas situações desses dois episódios me deixaram desconfortáveis. Seja pela falta de coerência de algumas cenas ou pelo esquecimento de algumas situações, mas aprendemos a conviver com esses buracos, não é mesmo? Por isso vou focar em algo que realmente me preocupa: o fato de que o roteiro esqueceu do enorme processo que Annalise procura mover contra o estado a Pensilvânia. Sei que tal história é a grande razão da existência do crossover, mas não é certo simplesmente deixar uma proposta tão importante e interessante de lado.

Imagem: ABC/Richard Cartwright

O que me deixa mais frustrado é que essa ideia é deixada de lado para desenvolver histórias desimportantes e que não fazer o menor sentido. Qual a necessidade de Frank ir atrás de Dominick de tortura-lo daquela forma? Proporcionar uma cena agonizante para o telespectador ficar impressionado? Pra que tornar Oliver o personagem chato? Ele precisa sim de algo para se preocupar, mas se tornar aquela pessoa moralista que tenta mostrar que isso é certo e aquilo é errado, não é o melhor caminho. Tenho certeza.

Pode ficar ruim

Fico feliz em saber que a mãe de Laurel vai fazer uma participação especial, mas confesso que fico um pouquinho desencorajado em saber que ela estará lá pela vontade do roteiro em criar um embate (desnecessário) no tribunal pela guarda do filho de Laurel. Ela trará segredos? Sim. Vai promover algumas reviravoltas? Sem dúvidas. Mas e aí? Como que ela contribui para o crescimento da narrativa? Ela desaparece e retorna quando é conveniente? Sinceramente, me parece uma situação muito similar de Scandal, onde a mãe de Olivia Pope (Kerry Washington) surgiu na 3ª temporada e em seguida se tornou uma coadjuvante de luxo.

Volto a dizer que How To Get Away With Murder está no caminho certo, o problema é ter foco. Focar nas propostas interessantes, nas ideias que funcionam e desenvolver personagens que valem a pena. Espero ver mais de Michaela, de Connor e Annalise nos próximos três episódios, esses sempre valeram mais a pena.